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Cultura Grande Otelo

GRANDE OTELO UM PEQUENO GRANDE HOMEM

Sebastião Bernardes de Souza Prata é o nome verdadeiro do fantástico artista GRANDE OTELO, nascido em 18 de outubro de 1915, na cidade de Uberlândia, Minas Gerais, e morto em Paris, França, aos 78 anos, em 26 de novembro de 1993.

16/11/2021 07h22 Atualizada há 2 semanas
Por: Paulinho porto
GRANDE OTELO - Desenho de Alvaro Neto
GRANDE OTELO - Desenho de Alvaro Neto

 

De nacionalidade brasileira, e como gostava de ser descrito, de etnia afrodescendente, com altura de 1,50m.

Grande Otelo foi casado com Lúcia Maria (1941-1949), Olga Vasconcelos de Souza (1954-1974) e Josephine Hélene (1974-1987).

As ocupações principais do artista foram a de ator, comediante, cantor, produtor e compositor musical.

Grande Otelo é o pseudônimo de Sebastião Bernardes de Souza Prata, que foi um ator, comediante, cantor, produtor e cantor brasileiro. Seu nome ficou renomado nas apresentações artísticas dos cassinos cariocas e do chamado teatro de revista, participando também de diversos filmes brasileiros de sucesso, entre eles as famosas chanchadas nas décadas de 1940 e 1950, das quais estrelou muitas vezes em parceria com outro renomado cômico, Oscarito, além da consagrada versão cinematográfica de Macunaíma, realizada em 1969. Grande Otelo é frequentemente citado como um dos mais importantes atores da história do Brasil.

Sua vida teve várias tragédias, pois seu pai morreu esfaqueado e a mãe era alcoólatra. Quando já era um ator consagrado, e isso tempos depois das tragédias familiares de sua infância, uma outra tragédia aconteceu; enquanto o ator gravava a famosa cena de Romeu e Julieta de forma cômica ao lado de Oscarito, sua mulher cometeu suicídio logo após matar com veneno  filho do casal de seis anos de idade, que era enteado do ator.

Mas retornando no tempo, quando Grande Otelo vivia ainda em Uberlândia, conheceu uma companhia de teatro mambembe e, encantado com os artistas, fugiu com eles, porém com o consentimento da diretora do grupo de artistas, Abigail Parecis, que o levou para São Paulo. Mas chegando em São Paulo, desapontado com a atividade que exerceria dentro da companhia,  o jovem Otelo voltou a fugir,  acabando no Juizado de Menores. O certo ou errado de tudo levou Grande Otelo a ser adotado pela família do político Antonio de Queiroz. Com esta adoção firmada em cartório, Otelo passou a estudar no então no colégio Liceu Coração de Jesus, ficando matriculado neste colégio até completar a terceira série ginasial. Sendo este período marcado pela instrução básica do futuro grande ator brasileiro que, segundo registros, estudou apenas até o terceiro ano ginasial.

 

Mas foi na década de 1920 que viria a participou da Companhia Negra de Revistas, seu primeiro trabalho profissional, que tinha Pixinguinha como maestro. Mas tarde, só em 1932, mudaria de companhia, passando a atuar na Companhia Jardel Jércolis, um dos pioneiros do Teatro de Revista da época. E foi nessa mesma época que recebeu o apelido que o consagraria como artista: Grande Otelo, que acabou por adotar como nome artístico.

Em 1942 participou do filme de Orson Welles, IT’S ALL TRUE, quando o intérprete e diretor norte-americano declarou publicamente que considerava Grande Otelo o maior ator brasileiro. E Grande Otelo, a partir deste destes elogios, acabou fazendo inúmeras parcerias no cinema, sendo a mais conhecida com o ator Oscarito. Depois os produtores cinematográficos uniriam Otelo com outros atores consagrados da época, e sua próxima dupla de sucesso foi formada com o cômico ANKITO.

No final dos anos 50, Grande Otelo formou dupla em vários espetáculos musicais e também no cinema, com Vera Regina, uma negra alta que lembrava fisicamente a famosa dançarina norte-americana naturalizada francesa, Josephine Baker. Com o fim desta parceria, Otelo passou por um período de crise financeira, e que, até voltar ao sucesso no cinema, só aconteceu com sua grande atuação como o personagem título do filme MACUNAÍMA ao lado do ator Paulo José, de 1969, baseado na obra literária de Mário de Andrade. Em 1974, estrelou, ao lado de Miriam Batucada, no exitoso espetáculo “SAMBA, COISA E TAL”, produzido por Haroldo Costa. Depois participou também do filme de Werner Herzog, FRITZ CARRALDO, de 1982, filmado na Floresta Amazônica.

A partir dos anos 1960, Otelo passou a ser contratado da TV Globo, emissora na qual atuou em diversas telenovelas de grande sucesso, como UMA ROSA COM AMOR. Também participou do humorístico “ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO”, no início dos anos 1990. Seu último trabalho de renome foi na telenovela RENASCER, pouco antes de sua morte no aeroporto de Paris em função de um AVC fulminante.

Grande Otelo morreu em 1993, devido a um infarto fulminante, ao desembarcar em Paris, de onde seguiria para uma justa homenagem na Europa patrocinada pelo governo francês no Festival dos Três Continentes, em Nantes. “Seu corpo foi enterrado no Cemitério São Pedro, na cidade de Uberlândia, em Minas Gerais, sua cidade natal, onde recebeu, segundo a obra THE GRAT OTHELO, de Israel Foguel, um gigantesco cortejo pela cidade enlutada”.

Do acervo Grande Otelo, destacamos:

Encontra-se disponível para acesso pela WEB grande parte do ACERVO GRANDE OTELO, recebido oficialmente pela Fundação Nacional de Arte (FUNATE) em dezembro de 2007. Todo esse material estava acondicionado há vários anos em um apartamento no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, guardado em caixas de papelão, nas quais foram descobertos manuscritos do artista, livros inéditos de sua autoria, e de outros autores com dedicatória manuscritas para ele, livros de amigos e personalidades reconhecidas da cultura brasileira, nacional e internacional. Todos relacionados à cultura brasileira e de todo o mundo. Também foram encontradas letras de músicas composta por Otelo e com alguns parceiros, além de muitos discos de vinil, fitas-cassetes com os mais variados conteúdos, como entrevistas, músicas cantadas pelo ator e programas apresentados por Grande Otelo no rádio e TV. Também foram encontrados recortes de jornais e revistas mencionando prêmios e homenagens ao artista; troféus, placas, diplomas e certificados recebidos durante a sua longa carreira; roteiros para cinema escritos por Grande Otelo e textos do ator para TV, teatro, shows, partituras musicais escritos pelo artista, uma vasta correspondência, livros, monografias, poemas, fotos, obras de arte e muitos recortes de jornais e revistas.

A FGO (Fundação Grande Otelo) passa a ser detentora dos direitos sobre o nome, imagem, obra e o acervo do artista, após a doação dos direitos por seus herdeiros.

O trabalho de restauração e catalogação do material se iniciou em 2004, pela produtora carioca Sarau, uma agência de cultura  brasileira. Este acervo tornou-se fundamental para o conteúdo do Projeto 90 Anos de Grande Otelo, idealizado pela mesma produtora, fornecendo informações inéditas para a biografia do artista, realizada pelo escritor e jornalista Sérgio Cabral. O acervo serviu de base também para a criação de um site, um documentário e um espetáculo teatral. Após o término do projeto, o acervo restaurado, higienizado e digitalizado foi entregue à FUNARTE, oficialmente no dia 17 de dezembro, quando o público terá acesso físico ao material desde fevereiro de 2008.

Grande Otelo foi pai de cinco filhos, sendo um deles o ator José Prata, conhecido como PRATINHA, que iniciou a carreira artística aos 14 anos, atuando na versão de 1986 da novela SINHÁ MOÇA, no papel de BENTINHO, além de participar do seriado AS AVENTURAS DO TIO MANECO, da TVE, de autoria de Flávio Migliácio, das peças O PAGADOR DE PROMESSAS, de DIAS GOMES e A TURMA DO PERERÊ, de ZIRALDO. Na década de 2010, Pratinha abriu uma empresa onde trabalha em concerto de celulares e outros aparelhos digitais.

                                                                                                Por LOWRY LANDI

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