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Cultura BEIJAMIN

BEIJAMIN DE OLIVEIRA O PRIMEIRO PALHAÇO NEGRO DO BRASIL

BEIJAMIN CHAVES, é o nome verdadeiro do palhaço BEIJAMIN DE OLIVEIRA que, curiosamente, seja o único palhaço do mundo que se apresentou com nome e sobrenome humano, dispensando os famosos apelidos tão comuns entre os palhaços de circo, televisão e cinema.

13/11/2021 05h09 Atualizada há 2 semanas
Por: Paulinho porto
BEIJAMIN DE OLIVEIRA - Desenho de Alvaro Neto
BEIJAMIN DE OLIVEIRA - Desenho de Alvaro Neto

 

Nascido na cidade de Pará de Minas, no estado de Minas Gerais, (Império do Brasil), no dia 11 e junho de 1870 e falecido na capital da República da época, o Rio de Janeiro, no dia 30 de maio de 1954, conforme certidão de nascimento e vasta documentação bibliográfica, ficou mais conhecido pelo seu nome artístico BEIJAMIN DE OLIVEIRA que, além de palhaço foi um artista cênico reconhecido, mas que também foi um compositor de melodias, cantor, ator e, um palhaço de circo brasileiro, sendo mais conhecido por ser o primeiro palhaço negro do Brasil. Mas as qualidades de Beijamin de Oliveira vão além dos picadeiros pois é considerado o idealizador e criador das primeiras manifestações de CIRCO-TEATRO nos palcos e picadeiros brasileiros.

O sobrenome OLIVEIRA veio após se inspirar no nome de seu primeiro instrutor de circo, SEVERINO DE OLIVEIRA,

Na ficha bibliográfica do artista em várias biografias aparece como BEIJAMIN CHAVES, como seu nome (verdadeiro) completo e BEIJAMIN DE OLIVEIRA como nome artístico. Sua morte aconteceu quando estava com 83 anos de vida, na cidade do Rio de Janeiro e, como ele gostava de dizer, capital da República, considerando que o artista havia nascido na época do Império do Brasil. Suas ocupações principais, além da função de palhaço, foi a de ator, cantor e compositor de melodias que ele mesmo acompanhava ao violão ou viola caipira.

A historiadora Ermínia Silva publicado em 2008 no livro CIRCO TEATRO: BEIJAMIN DE OLIVEIRA E A TEATRALIADE CIRCENSE NO BRASIL, onde procura contar detalhes desta capacitação artística e bastante da biografia do artista.

Em 2009 a escola de Samba carioca São Clemente apresentou no carnaval do Rio de Janeiro o enredo O BEIJO MOLEQUE DA SÃO CLEMENTE, uma abordagem histórica que serviu como homenagem ao multi-artista Beijamin de Oliveira. Este enredo, de autoria de Mauro Quintaes, foi inspirado no livro da historiadora Ermínia Silva.

Mas o grande artista também teve outras homenagens, como no espetáculo UNIVERSO REDONDO – OS CIRCOS DO BENJAMIN, no ano de 2015, também na cidade do Rio de Janeiro por iniciativa do ator Gabriel Sant’Anna na Cia do Solo.

Uma estátua em sua homenagem foi erguida no Parque Bariri, um município da cidade Pará de Minas, onde Beijamin nasceu segundo seus biógrafos mas que, lamentavelmente, foi vandalizada ao ser pichada com duas suásticas prateadas em setembro de 2017.

No ano de 2019 o artista foi apresentado no espetáculo CHAVES – UM TRIBUTO – UM TRIBUTO MUSICAL, sendo interpretado pelo ator Milton Filho e, depois, por Maurício Xavier.

Porém foi no carnaval de 2020 que a escola de samba Acadêmicos do Salgueiro teve como enredo o tema O NEGRO DO PICADEIRO, que cantou e desfilou toda a obra de Beijamin de Oliveira.

A discografia do artista basicamente surgiu e estacionou no ano de 1910, quando gravou os discos: CAIPIRA MINEIRO, AS COMPARAÇÕES, O BAIANO DA ROCHA (com Mário Pinheiro) e SE FORES AO PORTO (também com Mário Pinheiro).

Também o artista passou pelo crivo do cinema que, em 1908, gravou um de seus espetáculos – OS GUARANIS – baseado no romance de José de Alencar, com direção de Antônio Leal, quando viveu a personagem PERI); já em 1948, o filme gravado em cena de teatro, foi INCONFIDÊNCIA MINEIRA, com direção de Carmen Santos e Humberto Mauro, quando Beijamin interpretava um escravo de Tiradentes. Daí a pergunta: Tiradentes, herói da Inconfidência, tinha escravos? Segundo este filme, tinha.

Beijamin Chaves, mundialmente conhecido como o palhaço  Beijamin de Oliveira. Era filho de um capataz negro e caçador de escravos fugidas e famoso por suas crueldades, Malaquias Chaves, que tinha o hábito de espancar quase todo dia o pequeno Beijamin. Já a mãe do garoto chamava-se Leandra de Jesus que, por ser uma ESCRAVA DE ESTIMAÇÃO, era, como seu esposo, NEGROS FORRO, ou alforriados pela manumissão, que é o ato pelo qual um proprietário de escravos libertas os seus próprios escravos. Tanto Beijamin como seus irmãos foram alforriados (libertos) assim que nasceram, em função de Leandra ser considerada uma ESCRAVA DE ESTIMAÇÃO. Pouco se tem notícia do pai biológico de Beijamin, que era um capataz de fazenda, muito cruel e que trabalhava buscando escravos fugitivos.

Aos 12 anos de idade, Beijamin fugiu de casa para morar com a TROUPE do Circo Sotero, que passava por Pará de Minas. E neste circo atuou como trapezista e acrobata. Três anos depois, decidiu fugir novamente, já que era constantemente espancado pelo dono do circo. Assim que deixou o circo, encontrou com um bando de ciganos que, após aceitarem Beijamin em seu bando, planejavam vende-lo ou trocá-lo por um cavalo. Este trama o artista soube por uma jovem cigana que lhe contou este fato em detalhes e as escondidas, fato este que o motivou a fugir novamente. Mas nesta nova fuga acabou por deparar-se com um fazendeiro, que considerou que Beijamin só poderia ser um escravo fugitivo. Beijamin, para ser libertado foi obrigado a apresentar ao fazendeiro algumas acrobacias que havia aprendido no circo, para convencer que ele não era um escravo fugitivo. Após passar por vários outros circos, ele acabou por substituir o palhaço titular em um desses circos que acabou adoecendo e que, no momento, não tinha substituto. Por questões contratuais Beijamin foi obrigado a se apresentar no lugar do palhaço titular. Sobre este fato que aconteceu em um circo norte-americano, que foi o primeiro circo que lhe pagava por apresentação, em entrevista ao radialista Brício de Abreu, em 1947, Beijamin descreve este circo que trabalhou em 1885, além de confirmar sua primeira apresentação como palhaço acontecido no picadeiro deste circo e que, quando estreou, o público não gostou do seu desempenho, chegando a vaiá-lo várias vezes e lhe atirar ovos numa forma de rejeição. Mas por força do destino, acabou trabalhando neste e em outros circos na função de palhaço, conhecendo muitas cidades, até que foi contratado pelo Circo Caçamba no Rio de Janeiro. E foi neste circo, que estava estacionado numa favela da cidade, que uma ilustre personagem veio assistir ao espetáculo, que não era outro senão o então presidente da República Marechal Floriano Peixoto. O presidente ficou surpreso com a apresentação do palhaço Beijamin de Oliveira e com a ideia do dono do circo, Manuel Gomes de levar um espetáculo artístico para a periferia da cidade, para o subúrbio. O presidente do país propôs ao senhor Manoel Gomes a transferência do circo para a frente do Palácio Itamaraty, na Praça da República. A partir deste fato os materiais usados pela troup passaram a ser transportados pelo Exército Brasileiro sem qualquer despesa para o circo.

Beijamin de Oliveira escreveu diversas peças para teatro de sucesso, entre as quais se destacaram O DIABO E O CHICO, VINGANÇA OPERÁRIA, MATUTOS NA CIDADE e A NOIVA DO SARGENTO. Atuou também como cantor, nos entreatos, executando ao violão lundus, chulas e modinhas, principalmente as composições de seu amigo Catulo da Paixão Cearense.

Em agosto de 1908, protagonizou no papel de PERI a peça O GUARANI, que escreveu baseada na obra de José de Alencar e totalmente filmada dentro do Circo Spinelli e lançada sob nome OS GUARANIS. Este filme é considerado a primeira obra filmada no Brasil com o tema romance na época e foi lançado pela PHOTO-CINEMATOGRÁFICA BRASILEIRA. O outro filme, INCONFIDÊNCIA MINEIRA, foi lançado em 1948, onde o ator faz o papel de um escavo.

No ano de 1921, resolveu inovar como publicitário e atuando na função de jornalista quando criou a revista SAI DESPACHO! Uma revista  com pouca duração editorial.

Em 1941, com poucos recursos financeiros, pediu auxílio para passagens e transportes para seus 46 funcionários em uma excursão para Belo Horizonte em Minas Gerais. Esse pedido foi recusado. E 1947, devido a pressão exercida por jornalistas da época a Câmara dos Deputados, passou a receber uma pensão do governo federal. Mas Benjamin de Oliveira veio há falecer poucos anos depois, no dia 30 e maio de 1954 na cidade do Rio de Janeiro. O jornal O Estado de São Paulo noticiou o fato no dia 1º de junho de 1954. Outro jornal, A Noite, do Rio de Janeiro, também fez menção à morte do artista com a matéria MORREU O PALHAÇO BENJAMIN DE OLIVEIRA.

                                                                                                            Por LOWRY LANDI

 

 

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