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Saúde Vacina

E AS VACINAS?

E AS VACINAS? FAZEM MUITO BEM OU FAZEM MUITO MAL?

05/09/2021 às 06h17
Por: Paulinho porto
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E AS VACINAS?

O que se fala sobre? Dizem em alto e bom som que existem efeitos colaterais graves causadas no sistema imunológico, assim que qualquer tipo vacina é aplicada, pondo na berlinda e levantando uma questão crucial: até que ponto a aplicação (de qualquer tipo de vacina) são benéficas?

Antes de abordarmos de forma o mais cientificamente e de forma reverencial possível, o que conseguimos abordar sobre este tema, caminhando desde um processo histórico até o acompanhamento da aplicação das vacinas dentro e fora do ambiente de pandemias.

Há mais de dois séculos, o inglês Edward Jenner descobriu a primeira vacina. Conseguiu, para surpresa geral, imunizar um garoto de 8 anos contra a varíola inoculando-lhe soro de varíola bovina.

Dois séculos depois, a pergunta que usamos como título desta matéria andou bombando em muitos centros médicos do mundo. A vacinação que se propõe imunizar o corpo humano contra doenças infeciosas já a partir dos primeiros dias de vida, não é de hoje. Com debates acalorados nos meios de comunicação bem mais que nos meios científicos, tudo parece virilizar que nos obriga a muitos esclarecimentos.

Mas a questão surgiu com muita força nos Estados Unidos e na Europa. Desde então, a dúvida vem se espalhando entre pais e profissionais da área médica ao redor do mundo.

Mas e as críticas às vacinas? Podemos dizer que estas críticas se apoiam pelo menos em três pontos polêmicos.

Nos últimos tempos parece ter aumentado – ou pelo menos se tornado mais visível – a ocorrência de efeitos adversos de certas vacinas, como a tríplice contra difteria, coqueluche e tétano.

Os efeitos variam da simples irritabilidade ao desenvolvimento da doença que se pretendia evitar. Há registro de casos extremos em que a vacinação resultou em morte.

Enquanto as chamadas doenças da infância, como o sarampo e a rubéola, declinam, aparentemente como consequência das campanhas de vacinação, observa-se um súbito aumento de males crônicos como o diabetes, a artrite, a asma e outros tipos de alergias.

Para os antivacinistas, estudos recentes, estudos recentes, realizados em vários países, não deixam dúvidas sobre a relação causal entre a sobrecarga de vacinas recebida pelas crianças e as doenças autoimunes – males provocados por respostas anormais do sistema imunológico contra o próprio organismo.

Apesar do salto tecnológico que sinaliza a utilização, em futuro próximo, de sofisticadas vacinas de DNA, que se diferenciam das outras por ter ação mais forte e prolongada e que, em raros momentos podem atuar por toda a vida, os cientistas passaram a admitir recentemente que poucos sabem sobre a ação das vacinas no corpo humano. O próprio diretor do Instituto Pasteur de Paris, Philippe Kourilsky, guardião das teorias do químico francês Louis Pasteur, pai da microbiologia, reconhece essa relativa ignorância da medicina. O diretor do instituto chegou a confessar seu espanto com a escassez de informações científicas básicas neste campo da medicina, quando afirmou: “Cada vez que uma vacina se mostra eficaz, os cientistas simplesmente a entregam para o pessoal da saúde pública e vão estudar outra coisa”.

As vacinas estão entre as principais conquistas da Humanidade. Graças a elas, conseguimos erradicar a varíola, que é uma doença que já vitimou milhões de pessoas ao longo da História, e estamos próximos da erradicação da poliomielite em todo o mundo. Para se ter uma noticia muito importante nesse sentido é bom qe se diga que em 2015, a rubéola foi eliminada em todos os países da América.

Num país onde a quase totalidade das doenças infecciosas foi controlada, como é o caso dos Estados Unidos, o questionamento das vacinas começa a ser traduzido em números que expressam a repercussão social do problema.

Um quarto das vítimas das famílias estadunidenses, segundo pesquisa do Centro Nacional de Informações sobre Vacinas, que é uma organização não governamental baseada em Vienna, no Estado da Virgínia, á se pergunta se o sistema de defesa das crianças não fica enfraquecido por conta de tantas vacinações. Afinal, são quase dez dozes apenas nos primeiros seis meses de vida e 22 tipos de vacinas aplicadas antes da idade escolar. Também se questiona publicamente a opinião de outros 19% dos estadunidenses que põem em dúvida a própria eficácia das vacinas na prevenção de doenças.

Mas o que são as vacinas?

Podemos dizer de forma simplista que vacinas são medicamentos aplicados diretamente em nossos corpos por injeções ou por via oral que nos protegem de muitas causadas de vírus e bactérias, que são os agentes infecciosos.

Mas o que são as chamadas vacinas?

Ao invadir um organismo, bactérias e vírus atacam as células e se multiplicam. Esta invasão é chamada de infecção e é isso que causa a doença.

As vacinas precisam estimular o sistema imunológico – também chamado de sistema imunitário ou imune – a produzir anticorpos, um tipo de proteína, que são agentes de defesa que atuam contra os micróbios que provocam doenças infecciosas.

E como as vacinas funcionam?

Uma forma muito enfraquecida ou totalmente inativada do agente que causa a doença é introduzida no organismo da pessoa por via oral ou cutânea. As defesas do organismo entram em ação e esse combate gera anticorpos e memória imunológica.

Se no futuro o agente ativo da doença atacar o organismo, os anticorpos específicos produzidos ela vacina vão destruí-lo.

O que seria esta memória imunológica?

Sabemos que o sistema imune também tem a capacidade de se lembrar das ameaças já combatidas, por isso, sempre que os mesmos agentes infecciosos entram em contato com nosso organismo, o complexo processo de proteção é reativado.

Em alguns casos, a memória imunológica é tão eficiente que não deixa uma doença ocorrer mais de uma vez na mesma pessoa. Isso acontece, por exemplo, quando contraímos sarampo ou catapora (varicela), ou quando nos vacinamos contra essas doenças.

Vejamos o que seriam as chamadas doses de reforço.

Mas a memória imunológica nem sempre funciona. No caso da doença meningocócica, da difteria, do tétano e da coqueluche, tanto as infecções quanto as vacinas que nos previnem das infecções, não geram proteção para toda a vida, seja porque os estímulos do sistema imune não é suficiente a ponto de produzir uma ótima memória imunológica, seja porque ter memória imunológica, nesses casos, não basta para manter a proteção no longo prazo. É por isso que às vezes precisamos tomar doses de reforço de algumas vacinas.

O tempo é uma das condições que o sistema imunológico precisa para funcionar com relação a algumas infecções.

Quando uma criança é exposta a um micróbio, seu sistema imune não consegue produzir anticorpos em um prazo inferior ao que o agente agressor leva para se instalar e provoca os sistemas. Apesar do esforço de proteção natural do organismo, a criança ficará doente.

Esta é uma das razões que deixam as vacinas com importância crucial; elas permitem a imunização preventiva, o que elimina o risco de adoecimento e de, muitas vezes, complicações fatais.

E sobre a eficácia e a segurança das vacinas?

A maioria das vacinas protege por cerca de 90% a 100% das pessoas. O pequeno percentual de não proteção se deve a muitos fatores, sendo alguns relacionados com o tipo de vacina, outros, com o organismo da pessoa vacinada que não produziu a resposta imunológica adequada.

Quanto a segurança, ou seja, à garantia de que não vai causar dano à saúde, é importante saber que toda vacina para ser licenciada no Brasil, passa por um rigoroso processo de avaliação realizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Esse órgão, que é regido pelo Ministério da Saúde (MS), analisa os dados das pesquisas, muitas vezes realizadas ao longo de mais de uma década, e que demonstram os resultados de segurança e eficácia da vacina, que foram obtidos em estudos com milhares de humanos voluntários de vários países. O objetivo é de certificar de que o produto é de fato capaz de prevenir determinada doença em oferecer risco à saúde.

E qual é a composição básica de uma vacina?

As vacinas atenuadas contêm agentes infecciosos vivos, mas extremamente enfraquecidos. Já as vacinas inativadas usam agentes mortos, alternados ou apenas partículas deles. Todos são chamados de antígenos e tem como função reduzir ao máximo o risco de infecção ao estimular o sistema imune a produzir anticorpos, de forma semelhante ao que acontece quando somos expostos aos vírus e bactérias, porém, sem causar doença.

As vacinas atenuadas podem produzir condições semelhantes às provocadas pela doença que previne, (contra a febre, por exemplo), mas em pessoas com o sistema imunológico competente isso é muito raro e, quando ocorre, os sintomas são brandos e de curta duração. Já as pessoas com doenças que deprimem o sistema imunológico, ou que estão em tratamento com drogas que levam à imunossupressão, não podem receber esse tipo de vacina. O mesmo vale para as gestantes.

Quanto às vacinas inativas, elas nem chegam a IMITAR a doença. O que fazem é enganar o sistema imune, pois este acredita que o agente infeccioso morto, ou uma partícula dele, representa perigo real e desencadeia o processo de proteção. São vacinas sem risco de causar infecção em pessoas imunodeprimidas ou em gestante e seu feto.

Além dos antígenos (atenuados ou inativos), as vacinas podem conter quantidades muito pequenas de outros produtos químicos ou biológicos, como: água estéril, soro fisiológicos ou fluídos contendo proteínas; conservantes e estabilizantes (por exemplo, albumina, fenóis e glicina); potencializadores da resposta imune, chamados ADJUVANTES, que ajudam a melhorar a eficácia e/ou, prolongar a proteção da vacina; e também podem conter quantidades muito pequenas do material empregado para fazer crescer a bactéria ou o vírus, como a proteína do ovo da galinha.

Algumas vacinas apresentam ainda traços de antibióticos na composição, para evitar o crescimento de microrganismos durante a produção e o armazenamento do produto final.

Estes ingredientes auxiliam a preservar as vacinas e contribuem para manter sua eficácia ao longo do tempo.

Pessoas com história prévia de reações alérgicas graves a algumas destas substâncias devem consultar o médico antes da vacinação.

As vacinas são poderosas ferramentas com comprovada capacidade para controlar e eliminar doenças infecciosas, que ameaçam a vida, tanto humana como a de muitos animais.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima quede dois a três milhões de mortes a cada ano sejam evitadas pela vacinação e garante ser a imunização um dos investimentos em saúde que oferecem o melhor custo-efetividade para as nações. Isso significa que as vacinas possibilitam excelentes resultados de prevenção a baixo custo, quando comparadas com outras medidas, o que é muito importante, principalmente nos países sem condições adequadas para realizar diagnósticos e tratamento de doenças.

Já faze dois séculos que o mundo civilizado procura se imunizar contra doenças que, tradicionalmente, vinha dizimando a humanidade.

Procuramos, num cronograma geral, eixar marcado abaixo alguns dos grandes momentos da saga das vacinas, indo do pus da vaca ao DNA.

1796 = Edward Jenner injeta a secreção das fístulas de uma vaca com varíola – ou seja, pus – em um menino. Semanas depois inocula a criança a criança com varíola humana e ela não adoece. Daí o nome VACINA, derivado da expressão latina MATERIA VACCINIA (substância que vem da vaca).

1885 = Louis Pasteur cria a vacina antirrábica, após descobrir que a raiva ataca o sistema nervoso central de mamíferos e é transmitida pela saliva.

1911 = Começa a imunização contra a febre tifoide, doença mortal causada por bactérias e caracterizada por febre alta, diarreia e alterações cutâneas.

1921 = Surge a vacina BCG, contra a tuberculose. Estudo realizado na França, na década passada, sugere que, em criança, ela é pouco eficaz na prevenção da tuberculose, mas funciona bem contra meningite tuberculosa.

1925 = A difteria e o tétano ganham suas vacinas. Na época, a difteria matava anualmente milhares de crianças entre 1 e 4 anos de idade, devido à obstrução da laringe e da traqueia.

1926 = Adotada nos Estados Unidos a vacina contra coqueluche, doença que provoca tosse convulsiva em crianças. Até hoje é o maior alvo de polêmica, por causa de seus fortes efeitos colaterais.

1935 = A vacina contra febre amarela, doença típica de áreas silvestres, é introduzida nos Estados Unidos. Sete anos depois passa a ser usada no Brasil, então um dos grandes focos do mal.

1955 = Inventada a vacina injetável contra a poliomielite, produzida com vírus inativos. Sua eficácia ficou aquém das expectativas dos cientistas.

1960 = Após 30 anos de pesquisas, o polonês naturalizado estado unidense, Alberto Sabin fabrica uma vacina com vírus vivos da pólio, a famosa gotinha que ajudou a erradicar a doença das Américas.

1964 = A primeira geração de vacinas contra o sarampo é produzida. De 1967 a 1970, o preventivo ajudou a erradicar o sarampo em Gâmbia, na África. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a doença voltou dois anos depois devido à suspensão da vacina.

1981 = A vacina contra hepatite B é fabricada com a nova técnica de proteínas recombinantes – genes do vírus são mergulhados em culturas de células, que passam a produzir antígenos. Inoculados no organismo, eles estimulam a produção de anticorpos.

1993 = Começam os testes, em ratos, das primeiras vacinas gênicas (ou de DNA), contra influenza tipo B, malária e Aids. A meta é chegar á vacina polivalente, de dose única e ação permanente, com a transferência de genes de agentes patológicos para células do homem.

1999 = Têm início os testes de vacinas de DNA em humanos. No Brasil, o experimento é feito com a vacina contra HAEMOPHILUS INFLUENZA (gripe).

Mas será que existe mesmo um antídoto controverso?

Empregada no aís há mais de 60 anos, a vacina contra a febre amarela assusta por seus efeitos colaterais.

O hábito de vacinar populações no Brasil começou com uma enorme confusão – a chamada GUERRA DA VACINA. Em 1904, assustados com o boato de que a injeção transmitia sífilis, milhares de cariocas montaram barricadas nas ruas do Rio de Janeiro ara evitar a vacinação obrigatória contra a varíola. A casa do bacteriologista Oswaldo Cruz, que dirigia o programa sanitário, chegou a ser alvo de tiros e, temendo o agravamento dos protestos, o governo recuou. Desde então, nenhum outro fato grave tinha abalado as campanhas de imunização no país até dezembro de 1999. Naquele mês, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) anunciou a morte da menina Andrielly Lacerda dos Santos, de 5 anos, em Goiânia, vítima de febre amarela causada pela própria vacina contra a doença.

Foi o primeiro caso no mundo, informou a Funasa. Não seria, contudo, o único transtorno recente envolvendo a vacina, obrigatória em áreas silvestres do Norte e do Centro-Oeste.

Em testes desde 1993, as vacinas gênicas inoculam na célula humana parte dos códigos genéticos de vírus e bactérias.

E o processo é o seguinte:

1)   O pedaço do DNA do micróbio responsável pela produção da toxina causadora da doença é identificado e isolado.

2)   O conjunto de genes é transferido para um plasmídeo (molécula do DNA de uma bactéria) que vai funcionar como veículo de transporte.

3)   O plasmídeo é injetado em uma célula dentrítica da pele. Ao cair na corrente sanguínea, ela acabará se alojando em algum gânglio linfático ou nervoso.

4)   A célula enxertada passa então a produzir a toxina própria do micróbio e o sistema de defesa do indivíduo responde gerando anticorpos que protegerão o organismo da doença.

Por LOWRY LANDI

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